A droga das drogas Helio Amorim    

O álcool é a pior droga. A mais  disseminada. Mata mais, infelicita mais, desagrega mais as famílias do que  todas as outras somadas e multiplicadas por dez. A dependência ao álcool é
 tão potente como a dependência às outras drogas. No entanto, goza de  status, a venda é livre, merece até apelidos carinhosos: cachacinha,  cervejinha...A alfândega não barra o whisky do turista, o fabricante e sua  indústria de morte são disputados pelos estados como grandes contribuintes  de impostos, e quem vende não é preso a menos que o comprador seja adolescente. 
 A propaganda é permitida, sempre associada às coisas boas da vida, na tela  da TV, entrando em casa alheia sem pedir licença.  No entanto, vamos  repetir mil vezes: é a droga mais destrutiva, uma praga ou endemia mortal  espalhada por todos os recantos do país. E nas pequenas cidades,  proporcionalmente, bebe-se mais que nas grandes. O bar é o ponto de
 encontro de jovens que se gabam do seu pileque como ritual de  auto-afirmação, na véspera da dependência sem retorno.  Agora, uma  novidade, primor de sadismo: para a iniciação dos adolescentes à futura  dependência, garantindo o mercado gordo nas novas gerações: surgem os
 refrigerantes batizados com rum, vodka ou cachaça, com baixo teor de  veneno para driblar a lei e permitir que a garotada beba à vontade. O  baixo teor com o tempo vai se tornar necessário e mais tarde insuficiente.  É dada a partida para a corrida que vai terminar mal. Alguns escaparão,  por defesas naturais, físicas ou psíquicas.  Outros não encontrarão a  saída. Poucos destes serão resgatados, com enorme esforço e sacrifício,  pelos AAs, aqueles benditos grupos de alcoólicos anônimos.  Além de destruir a pessoa e a família por dentro, o álcool é o responsável  pela maioria dos acidentes de trânsito e de trabalho, que resultam em  mortes e mutilações de corpos no asfalto, nas máquinas das fábricas e nos  andaimes das obras.
 Não dá para proibir, naturalmente. Uma lei seca geraria mais banditismo,  como acontece com as drogas chamadas "pesadas" (ao contrário da cerveja,  cuja "leveza" é exaltada pela propaganda). Mas há "51" maneiras de coibir  o consumo: proibir totalmente a glamurosa propaganda, aumentar  escandalosamente o imposto, investir forte na contra-propaganda, incluir
 informação sobre essa praga nacional nos currículos escolares, para  derrubar aos poucos o prestígio da bebida. O que se gastar nessa guerra  resultará em enormes benefícios humanos mas também retornará  financeiramente multiplicado em forma de economia na saúde pública,
 aumento da produtividade no trabalho, redução de acidentes fatais.  As  outras drogas, as tais "pesadas", são terríveis mas, felizmente, muito  menos disseminadas. As mortes que produzem são muito mais as de  traficantes pela disputa de territórios e pontos de venda do que por
 overdose ou atos criminosos de viciados enlouquecidos. Por isso, surge a  cada momento a proposta de fornecimento gratuito da droga ao dependente  cadastrado, com a contra-partida da aceitação de terapia igualmente  oferecida. Essa medida, que, naturalmente, exigiria enorme prudência e  controle rigoroso, desbarataria o tráfico, pela brusca queda da demanda.
 Haveria menos mortes por disputas entre bandos e por balas perdidas nas  batidas policiais. Só sobreviveriam no narconegócio os fernandinhos que  comandam redes de tráfico internacional envolvendo países onde o droga  proibida continua sendo o mais lucrativo negócio do mundo, fornecendo  dinheiro a rodo para armar o crime organizado.  Mas não podemos dissociar
 estes problemas das drogas do estilo de vida e relações humanas que se foi  modelando nessa sociedade consumista e desigual em que estamos  mergulhados. Onde convivem e se defrontam excluídos e incluídos, onde os  que esbanjam e ostentam esbarram nas ruas com os famintos, onde faltam  perspectivas e esperanças de sobrevivência digna para uns, e sobram fastio
 e desencanto em outros, as fugas são inevitáveis. O ódio de classes se  torna visível. O faminto vai descobrir-se espoliado e buscará uma  distribuição mais justa de riqueza pelo cano da arma apontada para a  cabeça do motorista. O álcool ou a outra droga lhe darão a coragem
 necessária. No outro extremo, o desencanto do jovem que nunca precisou  trabalhar, nada lhe faltou jamais na vida e, sem qualquer esforço, ganha o  carro do pai aos dezoito anos, sem valores e projetos por que lutar, só  pensa na sempre frustrante busca de emoções efêmeras que a droga leve ou  pesada lhe oferece.  Terminará estendido na rua ao lado do poste derrubado
 na madrugada.  Entre carências e desencantos de hoje, será preciso  descobrir como construir uma sociedade nova, justa e solidária, na qual  valores humanos perdidos sejam recuperados. Que o prazer de viver seja  servido a todos, com abundância, no café da manhã. E o resultado da  prática humanizadora do cotidiano seja o travesseiro macio do final de  cada dia.

  
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Assunto:

CARTA ENDEREÇADA AOS JOVENS DO BRASIL


Vale a pena ler e repassar.É muito forte, emociona e realmente deve ser lido pelo maior numero possível de, não só jovens, mas todos...

CARTA ENDEREÇADA AOS JOVENS DO BRASIL (MAS DEVE SER EXTENSIVA A TODOS).
(OS JOVENS DO MUNDO)

Meu nome é Patrícia, tenho 17 anos, e encontro-me no momento quase sem forças, mas pedi para a enfermeira Dani, minha amiga, para escrever esta carta que será endereçada aos jovens de todo o Brasil, antes que seja
tarde demais.Eu era uma jovem "sarada", criada em uma excelente família de classe média alta de Florianópolis.
Meu pai é Engenheiro Eletrônico de uma grande estatal, e procurou sempre para mim e para meus dois irmãos dar tudo de bom e o que tem de melhor,inclusive liberdade que eu nunca soube aproveitar.
Aos 13 anos participei e ganhei um concurso para modelo e manequim Para a Agência Kasting e fui até o final do concurso que selecionou as Novas Paquitas do programa da Xuxa.
Fui também selecionada para fazer um Book na Agência Elite em São Paulo. Sempre me destaquei pela minha beleza física, chamava a atenção por onde passava.
Estudava no melhor colégio de "Floripa", Coração de Jesus.
Tinha todos os garotos do colégio aos meus pés. Nos finais de semana freqüentava shopping, praias, cinemas, curtia com minhas amigas tudo o que a vida tinha de melhor a oferecer a pessoas saradas, física mentalmente.
Porém, como a vida nos prega algumas peças, o meu destino começou a mudar em outubro de 1994.
Fui com uma turma de amigos para a OKTOBERFEST em Blumenau.
Os meus pais confiavam em mim e me liberaram sem mais apego.
Em "Blu", achei tudo legal, fizemos um esquenta no "Bude, famoso barzinho da Rua XV.À noite fomos à "PROEB" e no "Pavilhão Galegão" tinha um "show maneiro" da Banda Cavalinho Branco. Aquela movimentação de gente era "trimaneira".
Eu já tinha experimentado algumas bebidas, tomava escondido da mamãe o Licor Amarula, mas nunca tinha ficado bêbada. Na quinta feira, Primeiro dia de OKTOBER, tomei o meu primeiro porre de CHOPP, que sensação legal, curti a noite inteira "doidona", beijei uns 10 carinhas,inclusive minhas amigas colocavam o CHOPP numa amadeira misturado com guaraná para enganar os "meganha", porque menor não podia beber; mas a gente bebeu a noite
inteira e os "Otário" não percebiam.Lá pelas 4 h da manhã, fui levada ao Posto Médico, quase em coma alcoólico, numa maca dos Bombeiros. Deram-me umas injeções de glicose para melhorar.
Quando fui ao apartamento quase "vomitei as tripas", mas o meu grito de liberdade estava dado. No dia seguinte aquela dor de cabeça horrível, um mal estar daqueles com tensão "premestru". No sábado conhecemos uma galera de S. Paulo, que alugaram "apê" no mesmo prédio.
Nem imaginava que naquele dia eu estava sendo apresentada ao meu futuro assassino.
Bebi um pouco no sábado, a festa não estava legal, mas lá pelas 5.30hs da manhã fomos ao "apê" dos garotos para curtir o restante da noite.
Rolou de tudo e fui apresentada ao famoso baseado "Cigarro de Maconha", que me ofereceram.No começo resisti, mas chamaram a gente de "Catarina careta", mexeram com nossos brios e acabamos experimentando.
Fiquei com uma sensação esquisita, de baixo astral, mas no dia seguinte antes de ir embora experimentei novamente.
O garoto mais velho da turma o "Marcos", fazia carreirinho e cheirava um pó branco que descobri ser cocaína. Ofereceram-me, mas não tive coragem naquele dia. Retornamos à "Floripa" mas percebi que alguma coisa tinha
mudado, eu sentia a necessidade de buscar novas experiências não demorou muito para eu novamente deparar-me com meu assassino "DRUES".
Aos poucos meus melhores amigos foram se afastando quando comecei a me envolver com uma galera da pesada, e sem perceber eu já era uma dependente química; a partir do momento que a droga começou a fazer parte do meu cotidiano.
Fiz viagens alucinantes, fumei maconha misturada com esterco de cavalo, experimentei cocaína misturada com um monte de porcaria. Eu e a galera descobrimos que misturando cocaína com sangue ela ficava mais forte o efeito, e aos poucos não compartilhávamos a seringa e sim o sangue que cada um cedia para diluir o pó.
No início a minha mesada cobria os meus custos com as malditas, porque a galera repartia e o preço era acessível. Comecei a comprar a "branca" a R$ 7,00 o grama, mas não demorou muito para conseguir somente a R$15,00,
a boa que eu precisava no mínimo 5 doses diárias.
Saía na sexta-feira e retornava aos domingos com meus "novos amigos".
Às vezes a gente conseguia o "extasy", dançávamos nos "Points" a noite inteira e depois farra.

O meu comportamento tinha mudado em casa, meus pais perceberam, mas no inicio eu disfarçava e dizia que eles não tinham nada a ver com a minha vida.
Comecei a roubar em casa pequenas coisas para vender ou trocar por drogas. Aos poucos o dinheiro foi faltando e para conseguir grana fazia programas com uns velhos que pagavam bem.
Sentia nojo de vender o meu corpo, mas era necessário para conseguir dinheiro.
Aos poucos toda a minha família foi se desestruturando. Fui internada diversas vezes em Clinicas de Recuperação. Meus pais sempre com muito amor gastavam fortunas para tentar reverter o quadro.
Quando eu saía da Clinica agüentava alguns dias, mas logo estava me picando novamente.
Abandonei tudo: escola, bons amigos e família.
Em dezembro de 1997 a minha sentença de morte foi decretada; descobri que havia contraído o vírus da AIDS, não sei se me picando, ou através de relações sexuais muitas vezes sem camisinha.
Devo ter passado o vírus a um montão de gente, porque os homens Pagavam mais para transar sem camisinha.
Aos poucos os meus valores que só agora reconheço foram acabando, família, amigos, pais, religião, Deus, até Deus, tudo me parecia ridículo.
Papai e mamãe fizeram tudo, por isso nunca vou deixar de amá-los. Eles me deram o bem mais precioso que é a vida e eu o joguei pelo ralo.
Estou internada, com 24kg, horrível, não quero receber visitas porque não podem me ver assim, não sei até quando sobrevivo, mas no fundo do coração peço aos jovens não entrem nessa viagem maluca...Você com
certeza vai se arrepender assim como eu, mas percebo que é tarde demais.

*** Obs. Patrícia encontrava-se internada no Hospital Universitário de Florianópolis e descreve a enfermeira Danelise, que Patrícia veio a falecer 14 horas mais tarde, de parada cardíaca respiratória em
conseqüência da AIDS.

Por favor, repasse....por mais que se divulgue, sempre corremos o Risco de ver nossos jovens se destruindo, mas não vamos desistir.... um depoimento verídico, as vezes poderá ser um bom alerta.

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